December 11, 2007


Da Lagoa

Florianopólis, 17/12/2007


Cá estamos.

Me deixo levar pelo som das águas, um marear de núves,

Brisa de céu, gosto de sonho.


Cá estamos.

Me sinto bem leve, solta no ar,

Me sinto como um pedado de mar,

Vento no mar.


Cá estamos.

E nada me pesa,

Vejo luzes, vejo cor, vejo casas solitárias,

Vejo, mas isso é o que monos me toca.

O que me toca vem do inexplicável,

Vem de dentro do som das águas

Que, juntas, batem fortemente no barco.


Ilha, cá estamos!

E isso é tempo, é memória em construção.

Pequeno fragmento de tudo.

Contemplação!


Cá estou e o meu prazer não se traduz.

É tentativa de pulsar, de condensar o máximo de um todo

Que não dou conta.

Contemplação!


Cá estou-estamos.

Olhando pro mar,

Vendo água sem fim,

Vendo por dentro de nós... uma imensidão.


Cá estamos como partes do eterno.

Como o tempo que foge na ponta do mar.

Estamos em silêncio e isso basta.

2 comments:

Rafael Pacheco said...
This comment has been removed by the author.
Rafael said...

Muito bonito.
Os seus textos e os da Roberta são muito poéticos. Adoro. :-)

Ao fim do dia, depois de lidar com pessoas agressivas e pouco dadas à contemplação da vida, é um prazer ler os seus textos.

Obrigado.